quinta-feira, 18 de março de 2010
que pena....
okay, últimos dias com muito trabalho, mas estou de volta.
Vamos lá:
Hoje aconteceu algo interessante. Eu saía do condomínio para passear com os cachorros quando vi uma jovem muito bonita. Bonita, bem vestida, bem maquiada. Sua pele era morena escura. Um tom de pele lindo. E quando nossos olhares se encontraram, quando vimos um o rosto do outro, percebemos que compartilhávamos algo. Assim como eu, ela também tinha vitiligo. Para quem não sabe, vitiligo é aquela doença onde você para de produzir melanina, a substância que dá cor a nossa pele. Ninguém sabe ao certo a causa da doença, mas parece que o emocional é de fundamental importância para que ela se desenvolva.
Pois bem.
Eu sou bem branquinho, então não é tão trivial reconhecer minha descoloração em alguns pontos do rosto. Mas nesta jovem, pelo tom de pele moreno escuro, era impossível esconder.
Porém, o ponto que queria tocar surgiu logo adiante. Pelas minhas cachorras andarem um pouco devagar, a jovem passou à minha frente. E logo adiante havia um senhor esperando para usar o Orelhão. Ele olhou para a jovem, admirando sua beleza. Mas foi bem claro o instante em que ele percebeu seu problema de pele. Seu ar de admiração se converteu instantaneamente em um ar de pena. Ele a acompanhou com o olhar. Não mais focando seu corpo, mas sim, a mancha em seu rosto. Seus pensamentos eram decifráveis com facilidade: "Tão linda, mas com essa mancha, coitada!"
Naquele momento, eu me senti muito mal. Não apenas mal pela jovem, não apenas por mim, que compartilho do problema. Mal pela humanidade. Por uma humanidade que nos resume a um ideal. Temos de ser magros, brancos, fortes, com pele perfeita, corpos sem qualquer deficiência. Ou somos alvo de piedade. A frase "é tão bonito(a), que pena que seja ______!". Já quase se tornou um clichê. E nossa sociedade de aparências se fortalece. Se engrandece.
As diferenças não merecem pena. Merecem respeito. Todos, todos temos imperfeições. Tê-las valorizadas por outrem machuca, e muito. Mesmo que estes não o façam para caçoar, nos entristece.
As diferenças, mesmo àquelas que nos prejudicam um pouco, nos fazem únicos. Mas devemos ser vistos pelo nosso conjunto, ou no máximo por nossos pontos fortes. A pena nunca levou alguém muito longe. Já um elogio sincero ou um reconhecimento por um trabalho bem feito, estes, estes podem nos levar muito longe.
Postado por stillwalking às 21:57
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