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terça-feira, 30 de março de 2010

Banda da semana: Friendly Fires - Álbum Friendly Fires



Okay, esse álbum não é exatamente novo. Mas eu descobri essa banda algumas semana atrás e o som deles é muito, muito bom....
Os integrantes do Friendly Fires se conheceram no colégio, com 14 anos e montaram sua primeira banda, com um rock mais pesado. Depois, o vocalista Ed Macfarlane lançou, enquanto estava na faculdade, alguns trabalhos solos de música eletrônica. Quando todos já estavam devidamente formados, se reuniram e formaram a nova banda, o Friendly Fires. A base é dance music, mas eles vão muito além disso. Este álbum que cito aqui, começa "Jump in the Pool", que busca ritmos latinos (dá prá perceber uns tamborins na metade!). "Paris", que fez muito sucesso, sendo eleita música da semana por dois jornais de Londres, tem uma ótima batida, que lembra música dos anos 80.
Mas o CD tem várias músicas boas.
"Lovesick", que coloco aqui, é excepcional. A letra descreve uma paixão, e dá vontade de cantar junto. Passagens bacanas:


Don't you know sometimes these things they don't work out?
Best to walk away before your love runs out




A música que fez mais sucesso aqui (ainda toca freqüentemente na Oi FM) é "Skeleton Boy". A música é bem mais fiel à tradicional escola eletrônica, mas é perfeita para dançar.



Para terminar, uma música que não está neste CD, mas que é bem bacana, "Kiss of Life". A música é a declaração oficial de amor da banda pelo samba. O clipe conta com participação de percurssionistas e tem pique de samba do bom..... Recomendadíssimo!




segunda-feira, 29 de março de 2010

o produto


Sim, nós somos um produto.
Não como estes que compramos no supermercado. Os outros bem que tentam nos impor rótulos, mas nós somos diferentes.
Somos o produto de tudo o que nos acontece.
Como postei há algumas semanas no twitter, "Eu sou eu, minhas convicções e minhas recordações". Os fatos de nossa vida definem em muito como nos portamos. As paixões que acabaram mal levam embora junto nossa coragem em acreditar em um novo amor. Os momentos felizes criam recordações que sempre irão nos trazer um sorriso.
Mas as pessoas não nos enxergam assim.
Elas apenas vêem o produto pronto.
Lêem o rótulo que nos foi colocado.
Verificam o que é bom, mas se atém ao que é ruim.
No fim das contas, estamos todos no mesmo barco, com o mesmo nível de imperfeições. Mas o processo que nos definiu como somos, este é que nos faz especiais.
Por isso, eu recomendo. Nunca resuma alguém ao que esta pessoa acabou de comentar. Nunca resuma alguém à sua reação num momento difícil. Todos temos nossas histórias. E você nunca sabe porque às vezes uma simples bobagem faz alguém tão feliz. 


quinta-feira, 25 de março de 2010

um momento feliz


Não me canso de ver essa foto do final de semana que passei com meus amigos em Ibiúna. Nós tivemos a brilhante idéia de ver quem conseguia colocar mais pessoas em um caiaque para 2 remadores. No momento da foto estávamos em 4, com o caiaque já quase afundando, mas chegamos a colocar 6 pessoas!
Meu, rimos horrores..... Houve momentos em que minha barriga doía de tanto rir! Momento perfeitos, que me lembrarei para sempre!

quarta-feira, 24 de março de 2010

porque nós amamos o desafio.....

    Ontem eu estava trabalhando nas minhas coisas do doutorado. Tudo ia muito bem, experimentos com resultados promissores. Mas quando fui juntar meus dados, percebi que ainda haviam muitos problemas a ser resolvidos, e que, na verdade, eu apenas havia resolvido uma pequena parcela dos problemas presentes até então. Foi o momento em que não consegui mais vencer o cansaço e pensei: Puxa, não está mesmo fácil. E logo em seguida me veio outro pensamento: que bom que está difícil.
    É um fato, adoro desafios. Lembro do final do meu mestrado. Já havia feito todos os experimentos mais complicados e apenas passava os dias repetindo alguns procedimentos para melhorar um pouco os dados. Eram dias bem monótonos.
    Agora, neste início de doutorado, os problemas são imensos em comparação à outrora. Cada passo é uma nova peleja, e sua resolução, uma vitória. Sofro muito com cada dificuldade, quebro a cabeça, mas isso só me estimula mais.
    E analisando friamente, isto acaba valendo para tudo na vida. Os amores que mais nos marcam são aqueles repletos de dificuldades e incompatibilidades, que exigem muito mais dedicação e cuidado. Amores que funcionam plenamente desde o começo, sem questões e sem alguns (poucos) problemas não tem a mínima graça.
    A raça humana é movida pelos desafios. Dominamos o fogo, inventamos as redes de abastecimento e tratamento de esgoto, criamos a lâmpada, descobrimos medicamentos, criamos a internet. Todos estes feitos, considerados entre os maiores da humanidade, são produto da busca pela superação de desafios.
    Sócrates, na antiga Grécia já sabia disso. Por isso termino esse post com sua frase: "Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida".

segunda-feira, 22 de março de 2010

uma outra estação


Eu tive um ótimo final de semana. Um lugar lindo, ao lado de pessoas que amo muito.
E então decidi que é hora de mudanças.
É hora de reavaliar algumas atitudes
E recomeçar.
Chegou uma outra estação.
A primavera se foi, mas eu estou bem com isso.
Vamos por partes:
Primeiro, desculpas. Desculpas sinceras à quem eu machuquei com meu post anterior "nossa imperfeição", que foi devidamente removido. Ficar contente com a tristeza do próximo é vergonhoso. Divulgar isso, é torpe. Por isso peço desculpas. Tanto ao alvo do post quanto àqueles outros que o leram. E agora eu digo: Isso passou. Estou em outra estação. Àquela pessoa de outrora, eu desejo sinceramente que seja feliz. Sério mesmo. Pois só teremos alegria completa quando esta for compartilhada por todos.
Segundo: Este fim de semana realmente me fez pensar em muita coisa. Uma delas é que eu, de fato, não tenho do que reclamar nesta vida. Eu acho que finalmente sei o que eu quero ser quando crescer, eu tenho amigos maravilhosos, enfim, eu realmente tenho vários motivos para estar alegre neste momento.
Terceiro: Apesar das conclusões do item anterior: existe uma coisa que ainda me perturba, e que quem me segue no twitter já deve ter notado. Eu ainda sinto falta de algo, algo que eu não sei bem o que é. Não sei, parece que é algo que eu já tive, e não tenho há algum tempo, mas eu não sei o que é. Talvez esse seja meu maior objetivo na vida:  descobrir o que me falta para ser de fato feliz.

quinta-feira, 18 de março de 2010

que pena....


okay, últimos dias com muito trabalho, mas estou de volta.
Vamos lá:
Hoje aconteceu algo interessante. Eu saía do condomínio para passear com os cachorros quando vi uma jovem muito bonita. Bonita, bem vestida, bem maquiada. Sua pele era morena escura. Um tom de pele lindo. E quando nossos olhares se encontraram, quando vimos um o rosto do outro, percebemos que compartilhávamos algo. Assim como eu, ela também tinha vitiligo. Para quem não sabe, vitiligo é aquela doença onde você para de produzir melanina, a substância que dá cor a nossa pele. Ninguém sabe ao certo a causa da doença, mas parece que o emocional é de fundamental importância para que ela se desenvolva.
Pois bem.
Eu sou bem branquinho, então não é tão trivial reconhecer minha descoloração em alguns pontos do rosto. Mas nesta jovem, pelo tom de pele moreno escuro, era impossível esconder.
Porém, o ponto que queria tocar surgiu logo adiante. Pelas minhas cachorras andarem um pouco devagar, a jovem passou à minha frente. E logo adiante havia um senhor esperando para usar o Orelhão. Ele olhou para a jovem, admirando sua beleza. Mas foi bem claro o instante em que ele percebeu seu problema de pele. Seu ar de admiração se converteu instantaneamente em um ar de pena. Ele a acompanhou com o olhar. Não mais focando seu corpo, mas sim, a mancha em seu rosto. Seus pensamentos eram decifráveis com facilidade: "Tão linda, mas com essa mancha, coitada!"
Naquele momento, eu me senti muito mal. Não apenas mal pela jovem, não apenas por mim, que compartilho do problema. Mal pela humanidade. Por uma humanidade que nos resume a um ideal. Temos de ser magros, brancos, fortes, com pele perfeita, corpos sem qualquer deficiência. Ou somos alvo de piedade. A frase "é tão bonito(a), que pena que seja ______!". Já quase se tornou um clichê. E nossa sociedade de aparências se fortalece. Se engrandece.
As diferenças não merecem pena. Merecem respeito. Todos, todos temos imperfeições. Tê-las valorizadas por outrem machuca, e muito. Mesmo que estes não o façam para caçoar, nos entristece.
As diferenças, mesmo àquelas que nos prejudicam um pouco, nos fazem únicos. Mas devemos ser vistos pelo nosso conjunto, ou no máximo por nossos pontos fortes. A pena nunca levou alguém muito longe. Já um elogio sincero ou um reconhecimento por um trabalho bem feito, estes, estes podem nos levar muito longe.

sábado, 13 de março de 2010

desenho animado muito bom

Acabei de assistir esse desenho animado no youtube e adorei. Assistam:

E nunca esqueçam do gelo!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Gaga in Wonderland

Uma paródia feita com clipes da cantora Lady Gaga e com o trailer do filme "Alice no País das Maravilhas" mostra como a artista combina com o estranho mundo do clássico, por ser também uma figura peculiar.
O vídeo ficou muito bom, confiram:


Clipe novo de Lady Gaga: Telephone

Com Lady Gaga a gente sempre espera algo bombástico. Mas desta vez ela se superou. Acaba de sair o clipe de seu novo single, "Telephone", que conta com a participação de Beyoncé. O clipe é quase um curta metragem. Bem feito, provocativo, chocante. Tudo o que esperamos de Gaga. Em suma, perfeito.
Assistam:

ninguém disse que ia ser fácil....

    Pois é, ninguém disse que ia ser fácil.
    Ninguém disse que as pessoas seriam compreensivas.
    Ninguém disse que elas iriam nos respeitar.
    Mas eu sou assim, eu acredito nas pessoas. Realmente acho que no fundo todos tem boa índole, que no fundo, todos desejam o bem do próximo. E então confio nelas, e digo coisas que poderiam ser usadas de volta contra mim. E elas usam.
    Viver em sociedade não é fácil, ainda mais quando você não segue todos os pré-requisitos da "normalidade". Você se torna alvo, se torna estranho. É preciso ser uma fortaleza impenetrável à maldade alheia, ou então você desmorona no primeiro ataque.
    É hora de juntar os tijolos caídos.
    E reconstruir.
    Mas dessa vez, uma fortaleza mais forte.

quinta-feira, 11 de março de 2010

filme: "Direito de Amar"

    E um belo dia, um estilista de muito sucesso resolveu fazer um filme. Pois é, "Direito de Amar"é o primeiro filme do estilista mega bem sucedido Tom Ford. Mas do que dirigir, Tom também escreveu o roteiro e bancou o filme.
    Mas a dúvida seria: e Tom Ford fez um bom trabalho? Não, Tom Ford não fez um bom trabalho. Tom fez um trabalho maravilhoso, honrando seu conhecido toque de Midas. O filme é lindíssimo. Nada escapou à busca compulsiva do diretor pela perfeição. Os figurinos são magníficos, todas as pessoas que aparecem são bonitas (mesmo os figurantes ao fundo) e a fotografia é soberba. Existem cenas que, se fossem pausadas e impressas, renderiam quadros lindos e tocantes.
    Mas vamos a história. O filme se passa em 1962. O professor de literatura George Falconer perdeu, há 6 meses, o homem de sua vida, com quem passou 16 anos junto em segredo da sociedade. Seu namorado, Jim, morreu em um acidente de carro, e sua família só o avisa dois dias depois do ocorrido, deixando claro que não o quer no funeral.  E neste dia, 6 meses após a morte de Jim, George decide se suicidar. O filme mostra como é este dia na vida de George, todos seu preparativos para o pior que virá. Pode parecer uma história depressiva ao extremo, mas, acredite, é um dos melhores filmes que já assisti. O ator que faz George, Colin Firth, está excelente no papel, tanto que foi indicado ao Oscar deste ano. Ele nos passa toda a dor da vida de George, que teve de esconder de todos tudo o que lhe era importante na sua vida, tudo o que lhe fazia feliz, e que agora lhe foi levado.
    O filme também nos faz refletir muito. Os personagens tem muito de sua vida concentrada no passado, no que perderam, no que deixaram de fazer, o que acaba por definir seu estado de tristeza e isolamento. Mesmo o futuro é projetado como o prolongamento do que é viver sofrendo por aquilo que perdemos. Será que não agimos assim por vezes também?
    Segue o trailler. Mas não deixem de ver o filme.

terça-feira, 9 de março de 2010

Banda da semana: Hot Chip - Álbum One Life Stand

 
 Muito provavelmente você já ouviu falar do Hot Chip. Eles já vieram ao Brasil (em 2007) e seu último CD,   Made in the Dark, teve músicas que fizeram sucesso aqui, especialmente "Ready for the Floor", aquela com o clipe com o vocalista fantasiado de coringa (sensacional!!!)
    Mas um problema clásssico do Hot Chip era a falta de unidade de seus CDs. No "Made in the Dark", por exemplo, havia músicas totalmente prontas para cair na balada, como "Shake a fist", e outras calmíssimas, como "Made in the Dark", que dava nome ao CD. A impressão era que você não estava ouvindo a mesma banda ao longo do CD.
    Bom, neste quarto CD isso mudou. O CD é muito coeso. Menos dançante com mais destaque para a quase angelical voz de Alexis Taylor, o CD é uma delícia de ser ouvido. Confesso que a primeira vez que escutei pensei:  "mas cadê toda a animação de Ready for the Floor"? Mas na segunda vez eu já me apaixonei perdidamente.
    Minha música preferida foi "I feel better". A batida é muito boa, e a letra é bem escrita, com preciosidades como estes versos:

Nothing is wasted and life is worth living
Heaven is nowhere, just look to the stars
There is a day that is yours for embracing
Everything's nothing, and nothing is ours
Nothing is wasted and life is worth living (I only want one night)



Vejam o clipe (não oficial):

Bem, espero que gostem da banda. Deixem comentários!

segunda-feira, 8 de março de 2010

eu vou ficar em silêncio



Eu decidi
vou ficar em silêncio.
Ignorar as ofensas
os desafios,
as provocações.
Ignorar sua falta de senso,
sua falta de companheirismo.
Não irei opiniar.
Não irei tentar te ajudar.
Pois lutar contra seu ego
é uma luta vencida.
E você é o único perdedor......

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amar | Carlos Drummond de Andrade


Que pode uma criatura senão,

senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

sejamos honestos

    Okay, sejamos honestos.
    Eu sou impaciente e difícil de conviver.  É um fato e eu nunca escondi isso (na real, até divulgo mais do que eu deveria). Mas se tem algo que me irrita muito, mas muito mesmo, é gente que não reconhece meu valor.
    É claro que eu não sei tudo. Mas existem algumas poucas coisas que eu domino razoavelmente. Sei admitir quando não sei algo. Não tenho vergonha de dizer "não sei", ou, mais freqüentemente,  "desculpe, esqueci". Mas se eu sei algo, eu sei de fato.
    Talvez seja a característica mais marcante do ser humano, buscar ser reconhecido. Bem ou mal, uma boa parte das ações de nosso dia-a-dia são buscando reconhecimento. Ou então divulgamos o que fazemos, buscando o mesmo. Todos o fazem. Por isso, não me sinto tão culpado pelo que sinto agora.
    Sejamos honestos. Eu não sou perfeito. Sou impaciente e difícil de conviver. Mas tenho meu valor, como todos. E quero meu reconhecimento, como todos....

Banda (artista) da semana: Blake Lewis - Álbum "Heartbreak On Vinyl"

    Okay, semana difícil e com muito trabalho. Eu precisava de músicas animadas. Por isso, minha escolha recaiu sobre o novo álbum de Blake Lewis, "Heartbreak On Vinyl".
    Tudo bem, Blake ficou famoso através do programa "American Idol", o que o torna tudo menos Indie, mas este CD é realmente bom. Como brilhantemente definiu Blake, é um álbum de Eletro-Pop. Muito mais uniforme que o primeiro álbum (Audioday Dream) e com menos beat-box do que costumavam ser as perfomances do cantor, as músicas estão prontas para serem jogadas na pista. É o caso daquela que dá nome ao álbum "Heartbreak on Vinyl", que até já ganhou remixes por aí:


Gostei muito também de "Left my baby for You", que tem falsetes ótimos no refrão:

Bom, fica a dica do álbum, depois me digam o que acharam.

quarta-feira, 3 de março de 2010

independente ou solitário?

    Ok, eu me envergonho disso, mas eu assisto a novela das 21h da Globo, "Viver a Vida". Mas hoje, duas personagens discutiram algo que me fez pensar. Elas falavam que estar sozinho é bom, pois você não precisa dar satisfação à ninguém, mas é ruim porque pessoa independente é também conhecida como pessoa solitária.
    Bom, analisando friamente, esse simples diálogo de novela tem muito sobre o que se falar.
    De fato, é maravilhoso sair por aí, a hora que quiser, sem objetivos bem traçados. Eu mesmo adoro fazê-lo. Já aconteceu de eu pegar o carro em um domingo à tarde e sair por aí, parar em um lugar, assistir um filme, ir jantar sozinho. O que acho mais maravilhoso em programas solitários é justamente a inexistência de limites. Bem ou mal, quando você está com outra pessoa, tem de abrir mão de uma coisinha aqui e outra ali. Isso não é ruim. Tolerar e aceitar diferenças é o que nos faz crescer. Mas ausência de limites é realmente apaixonante.
    Mas independência cansa. Em um dado momento, você quer comentar com alguém que aquele filme é ótimo, que o seu prato está muito saboroso, enfim, apenas jogar conversa fora. Manter contato. Ser humano.
    E como a filosofia da novela disse, ser independente é conhecido por aí como ser só. Faça o teste. Vá sozinho à um restaurante japonês. O host te manda imediatamente para balcão, sem conversa. Ir em cantina italiana, então, é impossível. Logo que você senta, o garçom faz aquela pergunta terrível: "é só você mesmo, ou está esperando alguém?". Diz a verdade, não dá vontade de falar: "sim, sou só eu, algum problema?".
    Eu não acho que seja impossível ser feliz sozinho. Mas, como já disse aqui, não é fácil. Mesmo pessoas extremamente independentes (e eu me encaixo aqui) precisam de alguém. Alguém para ligar no fim do dia, nem que seja só para dizer que está tudo bem. Alguém para ser uma válvula de escape para esse nosso mundo complicado. Alguém para te abraçar bem forte, e te dizer "está tudo bem agora".